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JOTA INFO
Em uma década, Burnout levou mais de 22 mil trabalhadores à Justiça
https://www.jota.info/trabalho/em-uma-decada-burnout-levou-mais-de-22-mil-trabalhadores-a-justica
ROTA JURÍDICA
Saúde como direito e estratégia: o impacto da nova lei de prevenção de cânceres na rotina trabalhista
Paciente ganha voz, médico ganha deveres
https://www.rotajuridica.com.br/artigos/paciente-ganha-voz-medico-ganha-deveres/
PORTAL TAROBÁ
Livro debate subfinanciamento e desafios judiciais do SUS
https://taroba.com.br/noticias/cidade/livro-debate-subfinanciamento-e-desafios-judiciais-do-sus
MONITOR MERCANTIL
Plano de saúde: adesões superaram cancelamentos em 12 meses
https://monitormercantil.com.br/plano-de-saude-adesoes-superaram-cancelamentos-em-12-meses/
A REDAÇÃO
Prefeitura de Goiânia estima que oito novas UPAs devem realizar mais de 100 mil atendimentos por mês
JORNAL OPÇÃO
Conselheiro pede vista e julgamento no TCM envolvendo o Imas é adiado
O HOJE
Goiás abre novas vagas para residência médica e especialização no SUS
https://ohoje.com/2026/07/15/goias-abre-novas-vagas-para-residencia-medica-e-especializacao-no-sus/
PORTAL G1
Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que vai acionar Lei de Reciprocidade
MEDICINA S/A
Saúde suplementar brasileira ultrapassa 2 bilhões de procedimentos em um ano
https://medicinasa.com.br/saude-suplementar-procedimentos/
De 48 minutos para 36 segundos: como clínicas estão recuperando consultas perdidas e aumentando receita
https://medicinasa.com.br/carecode-edicao34/
PORTAL MIGALHAS
Técnica tem justa causa mantida após churrasco em copa hospitalar durante plantão
SAÚDE BUSINESS
Observabilidade em Ambientes Hospitalares: Como Garantir a Disponibilidade de Sistemas Críticos de Saúde
ESTADÃO
Pseudociência, currículos inflados: quem são os líderes das filiadas à OMB, nova organização médica
Criada no ano passado com a promessa de emitir títulos de especialista por um caminho não reconhecido pela legislação, a Ordem Médica Brasileira (OMB) reúne, entre seus dirigentes, profissionais que anunciam especialidades para as quais não têm registro, promovem práticas cientificamente controversas e atuam predominantemente no mercado de emagrecimento e hormônios, um nicho lucrativo permeado por protocolos sem evidência científica.
A nova entidade protagoniza uma briga judicial contra o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) pelo direito de emitir as certificações. A disputa ocorre em meio ao número recorde de cursos de Medicina e do consequente aumento de médicos generalistas.
Ao longo dos últimos meses, o Estadão analisou os currículos, registros profissionais e informações públicas sobre a atuação dos mais de cem líderes da OMB e das sociedades de especialidade filiadas a ela, que buscam o direito de aplicar as provas de título prometidas pela OMB. A reportagem encontrou mentiras em currículos, sanções no conselho de Medicina e até postagens que questionam a segurança das vacinas.
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Também chama a atenção o número expressivo de médicos atuando fora de sua área original de formação – geralmente em especialidades vistas como mais lucrativas – e como “mentores” de outros médicos, que ensinam caminhos para clínicas faturarem mais.
Atuar fora da área de especialização não é proibido, mas o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem restrições quanto à prática. Entre outros pontos, especialistas questionam a capacidade técnica e a credibilidade desses profissionais na formulação de provas para a concessão dos títulos ( abaixo).
Procurada, a OMB afirmou que “eventuais condutas individuais de médicos não podem ser atribuídas à instituição” e destacou que “a definição de critérios técnicos e a organização das provas não cabem a dirigentes individualmente” (leia o posicionamento completo abaixo).
A apuração do Estadão analisou as informações dos 108 médicos com cargos de presidente, vice-presidente ou diretor executivo nas 37 sociedades de especialidade filiadas à OMB que já haviam constituído diretoria em junho (são 54 no total). Encontramos informações públicas sobre a atuação de 98 destes profissionais. Destes, 48% defendem ou promovem pseudociências ou tratamentos controversos, 47% atuam em áreas diferentes da sua especialização e 15% divulgam ser de especialidade para a qual não possuem registro.
A análise incluiu ainda o perfil dos três principais líderes da própria OMB. Destes, o presidente, Lucio Monte Alto, e o secretário-geral, Tiago Laerte, não têm título de especialista registrado, segundo o CFM, e atuam majoritariamente com emagrecimento e terapias hormonais, temas tradicionalmente conduzidos por endocrinologistas.
Embora atuar em uma área sem ter título de especialista não seja proibido, o Código de Ética Médica do CFM veda, em seu artigo 114, “anunciar especialidade ou área de atuação” para a qual o médico “não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina”.
Na prática, um médico não pode divulgar ou fazer publicidade de uma especialidade sem ter o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), emitido pelo CFM somente a profissionais que concluem residência na especialidade ou que são aprovados em prova de título aplicada por uma das sociedades filiadas à AMB.
Monte Alto, o presidente da OMB, chegou a ter o seu direito de exercer a Medicina suspenso por 30 dias em janeiro, após ser considerado culpado em um processo ético aberto pelo Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (Cremesc) por desrespeitar três artigos do Código de Ética Médica, entre eles o 114.
Em 2019, Monte Alto também havia sido punido com censura pública pelo Cremesc em outro processo por infrações similares. Ele disse ao Estadão ser alvo de perseguição do conselho por seus posicionamentos e que nunca sofreu nenhum processo por imperícia ou negligência médica por tratamentos indevidos oferecidos a pacientes.
Laerte, o secretário-geral da OMB, anuncia em seu Instagram trabalhar nas especialidades de endocrinologia e nutrologia, embora não tenha RQE em nenhuma das duas. Já o vice-presidente da OMB, Lucas Caseri Camara, tem RQE em medicina esportiva e medicina física e reabilitação, mas trabalha principalmente com hormônios, sendo o fundador da Anabolic Academy, plataforma de cursos e conteúdos sobre testosterona e outros anabolizantes.
Em uma das aulas vendidas por meio da plataforma, Camara promete ensinar a outros médicos as indicações de uso dos esteroides nandrolona e oxandrolona para mulheres com quadros como a osteoporose, o que não é recomendado por sociedades científicas pelo risco de virilização e problemas cardiovasculares. Laerte e Camara não responderam aos questionamentos do Estadão.
Na análise dos perfis dos 108 dirigentes das sociedades de especialidades, a reportagem verificou que a grande maioria (107) tem RQE em alguma área, mas que, assim como Laerte, ao menos 15 divulgam uma especialidade que não possuem.
Há ainda nove dirigentes cujo RQE não é compatível com a especialidade que o profissional representa na OMB, ou seja, o profissional é diretor em uma sociedade de especialidade sem ter o título de especialista naquela área.
Entre os casos está o de Camila Sousa Vilela, que tem registro em medicina de família e comunidade, mas que, na estrutura da OMB, é vice-presidente da Academia Brasileira de Endocrinologia. Ou o de Laura del Papa, que é diretora executiva da Academia Brasileira de Cardiologia mesmo sem ter RQE em nenhuma especialidade. Procuradas, Camila e Laura não se pronunciaram.
Atuação fora da especialidade de formação
No grupo de 98 médicos sobre os quais encontramos informações públicas, 47% não atuam na especialidade na qual têm título de especialista. Entre os casos encontrados há, por exemplo, ortopedistas ou oftalmologistas que atuam em temas de endocrinologia.
A análise mostra ainda forte concentração de dirigentes da OMB no mercado de emagrecimento e terapias hormonais, com quase dois terços (61%) atuando nesses temas, embora somente um deles tenha registro em endocrinologia ( sobre a atuação dos médicos da OMB no mercado de emagrecimento, hormônios e mentorias aqui).
O perfil dos líderes encontrado pela reportagem destoa do que vem afirmando a própria OMB. No edital que a entidade lançou em janeiro com as regras para as provas de títulos que ela quer aplicar, a organização diz que as associadas “são conduzidas por experientes médicos detentores de RQE […] que serão os responsáveis pela elaboração dos exames” e que as provas serão elaboradas por banca designada pela OMB, em conjunto com a respectiva sociedade associada, “composta por médicos especialistas de notório saber técnico-científico e experiência comprovada na área”.
Para Mario Dal Poz, professor titular e diretor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é preocupante o fato de que diretores de sociedades que se propõem a avaliar e emitir títulos para outros profissionais não tenham formação ou ampla experiência na área que representam.
“É muito questionável porque, se ele é registrado em uma especialidade, mas atua em outra, há uma dúvida sobre sua capacidade técnica e sobre a credibilidade e seriedade dessas provas”, opina o médico e ex-coordenador de recursos humanos da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Nem todos os dirigentes das entidades filiadas à OMB se encaixam no perfil acima. Há também profissionais experientes que atuam em suas especialidades, mas eles são a minoria. O que chama a atenção na cúpula é o grande número de médicos sem ampla experiência na especialidade que representam, com atuação majoritária nos mesmos nichos de mercado e endossando práticas controversas.
Pseudociências e práticas controversas
Dos 98 diretores das entidades ligadas à OMB cujas informações sobre a atuação foram encontradas, a reportagem identificou ao menos 48% defendendo ou publicizando pseudociências ou tratamentos controversos – geralmente terapias que têm indicações em casos pontuais, mas que são promovidas de forma inadequada, como é o caso de hormônios.
Outra prática controversa adotada por médicos que lideram entidades da OMB é a prescrição indiscriminada de cetamina (ou ketamina), anestésico também usado no tratamento de depressão, mas que pode levar à overdose se usada de forma inadequada.
O Estadão identificou ainda uma médica ligada à OMB que endossa informações antivacina: trata-se da oftalmologista Acácia Jordão, diretora executiva do Colégio Brasileiro de Oftalmologia, filiado à OMB. Apesar de ter RQE na especialidade, ela trabalha majoritariamente com emagrecimento, hormônios e medicina integrativa, segundo seu Instagram.
No ano passado, ela foi uma das organizadoras de um congresso de medicina integrativa em São Luís (MA) que tinha em sua programação uma palestra sobre as supostas “mortes ocultas” associadas à vacina da covid-19 e outra sobre a “síndrome pós-spike”, uma condição sem comprovação científica que associa o imunizante a efeitos colaterais similares a um quadro de covid longa. A eficácia e a segurança do imunizante já ficaram comprovados por grandes estudos clínicos e, embora efeitos adversos existam, eles são raros.
Também no ano passado, Acácia divulgou em seu Instagram um evento da Associação Médicos pela Vida (MPV) sobre os supostos riscos das vacinas da covid em crianças. O MPV ficou conhecido na pandemia por defender medicamentos sem eficácia para a doença, como hidroxicloroquina e ivermectina, e por propagar desinformação sobre as vacinas. Por sua atuação, a entidade foi condenada pela Justiça por crime contra a saúde pública. Acácia foi procurada, mas não se pronunciou.
Outra médica do grupo com conteúdo controverso é a diretora executiva da Associação Brasileira de Pediatria, Denise Oliveira Dafico. Em uma postagem em sua página no Instagram, ela discute um estudo que liga a vacina da covid-19 à miocardite (um tipo de inflamação do coração). O risco existe, de fato, mas a condição é rara e está descrita na bula do imunizante. No post, ela sugere avaliar o risco individual de cada criança e, se necessário, adotar protocolos “antioxidantes, anti-inflamatórios naturais e homeopatia” para aqueles que já tiverem se vacinado, prática sem base científica.
Entre os serviços oferecidos em sua clínica, há práticas sem evidências de segurança e eficácia, como “terapia de desintoxicação celular profunda feita pelos pés” e protocolos injetáveis “nutracêuticos”. “Nada disso hoje tem respaldo científico. Só são tratados com suplementação pacientes com um quadro efetivo de deficiência nutricional. Nada deve ser feito sem necessidade, ainda mais na pediatria”, diz a endocrinopediatra Fernanda Ferrante, diretora clínica do Hospital Infantil Sabará.
Procurada, Denise afirmou que todas as suas condutas “observam a legislação vigente e as normas éticas” e que a “discussão sobre níveis de evidência científica é tema técnico, dinâmico e próprio do debate acadêmico, não se confundindo com ilegalidade ou irregularidade”.
‘Provas de títulos não cabem a dirigentes individualmente’, diz OMB. Procurada, a OMB afirmou que a definição de critérios técnicos e a organização das provas “não cabem a dirigentes individualmente, mas a instâncias colegiadas e departamentos científicos previstos em sua estrutura”.
A organização sustentou ainda que não exerce função disciplinar nem fiscalizatória, atribuições que, segundo ela, cabem exclusivamente aos conselhos de Medicina, e disse que “eventuais condutas individuais de médicos não podem ser atribuídas à instituição”.
Por fim, afirmou que a controvérsia deve ser analisada sob a ótica da liberdade associativa e da pluralidade institucional, princípios garantidos pela Constituição, e declarou atuar “com transparência e observância da legalidade”.
Assessoria de Comunicação