ATENÇÃO: Todas as notícias inseridas nesse clipping reproduzem na íntegra, sem qualquer alteração, correção ou comentário, os textos publicados nos jornais, rádios, TVs e sites citados antes da sequência das matérias neles veiculadas. O objetivo da reprodução é deixar o leitor ciente das reportagens e notas publicadas no dia.
DESTAQUES
Médicos e funcionários devem passar a bater ponto com reconhecimento facial, em Goiânia
Farmácia da Prefeitura de Goiânia está sem insulina
Pacientes se revoltam com demora em atendimento e impedem saída de médicos em Cais
Cremego se pronuncia sobre caso de médico goiano acusado de misoginia em hospital
Temer decreta fim do Farmácia Popular e 18 unidades em Goiás devem fechar as portas
Estudantes de medicina lamentam repercussão negativa de foto
Médicos esperam clareza em contrato com prefeitura
Robô para reabilitação de vítimas de AVC associa fisioterapia e games
Novo modelo para saúde suplementar busca reduzir custos e priorizar medicina preventiva
TV ANHANGUERA/GOIÁS
Médicos e funcionários devem passar a bater ponto com reconhecimento facial, em Goiânia
http://g1.globo.com/goias/videos/t/bom-dia-go/v/medicos-e-funcionarios-devem-passar-a-bater-ponto-com-reconhecimento-facial-em-goiania/5797805/
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Farmácia da Prefeitura de Goiânia está sem insulina
http://g1.globo.com/goias/videos/t/todos-os-videos/v/farmacia-da-prefeitura-de-goiania-esta-sem-insulina/5798075/
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Pacientes se revoltam com demora em atendimento e impedem saída de médicos em Cais
http://g1.globo.com/goias/videos/t/bom-dia-go/v/pacientes-se-revoltam-com-demora-em-atendimento-e-impedem-saida-de-medicos-em-cais/5797988/
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JORNAL OPÇÃO
Cremego se pronuncia sobre caso de médico goiano acusado de misoginia em hospital
Conselho Regional de Medicina enviou ao Jornal Opção nota em que informa que vai apurar conduta do profissional que atuava na Maternidade Nascer Cidadão
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) encaminhou nesta quarta-feira (12/4) nota em que informa que irá apurar a denúncia publicada pelo Jornal Opção na terça-feira (11) envolvendo um médico goiano que já atuou na Maternidade Nascer Cidadão, na capital.
A acusação partiu de internautas, que alegam que o profissional formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) teria demonstrado má conduta ao publicar conteúdo misógino e depreciativo às mulheres na internet.
Em prints extraídos de suas redes sociais, o médico chama a ala de ginecologia da unidade de "bucetário" e apelida o órgão genital feminino com nomes pejorativos. Na lista de fotos compartilhadas, há ainda um "poema" de cunho sexual e degradante.
Um dos representantes do conselho que representa os servidores da Nascer Cidadão adiantou ao Jornal Opção que não conhece o médico que foi alvo das denúncias. Ao que tudo indica, ele atuava na maternidade no ano de 2013 como interno.
O médico identificado nas publicações apagou suas redes sociais depois que o caso ganhou repercussão e não foi encontrado para comentar o assunto.
Agora, o Cremego informa, via nota, que vai apurar a veracidade "das publicações e da conduta atribuídas ao médico, que teriam ocorrido quando ele ainda era acadêmico, e adotar as medidas cabíveis caso seja constatado o desrespeito à ética profissional, aos pacientes e às boas práticas médicas".
Confira abaixo a íntegra do comunicado enviado pelo Conseho Regional de Medicina do Estado de Goiás à reportagem.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) tomou conhecimento das denúncias envolvendo um médico da Maternidade Nascer Cidadão por meio de matéria publicada pelo Jornal Opção. O Cremego vai apurar a veracidade das publicações e da conduta atribuídas ao médico, que teriam ocorrido quando ele ainda era acadêmico, e adotar as medidas cabíveis caso seja constatado o desrespeito à ética profissional, aos pacientes e às boas práticas médicas. O Cremego ressalta que zela pela ética médica e rechaça qualquer forma de desrespeito entre médicos, pacientes e demais profissionais de saúde.
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Temer decreta fim do Farmácia Popular e 18 unidades em Goiás devem fechar as portas
Por Marcelo Gouveia
Quase 400 drogarias serão desativadas em todo País. A partir de maio, produtos passarão a ser distribuídos unicamente pela rede de farmácias conveniadas
O Ministério da Saúde anunciou que iré desativar, a partir de maio, as 393 unidades da rede própria do programa Farmácia Popular, de distribuição de medicamentos gratuitos ou com até 90% de desconto. Agora, os produtos serão distribuídos unicamente pela rede de farmácias conveniadas.
No Estado de Goiás, as 18 unidades ativas do Farmácia Popular, conforme contabiliza relação no portal do Ministério da Saúde, devem fechar as portas. Na capital, a rede possui duas filiais, uma no Setor Central e outra no Leste Universitário.
A maior preocupação com a desativação do sistema é com pacientes que procuram alguns remédios específicos que não estão disponíveis nos estabelecimentos conveniados. Na rede própria, são ofertados, hoje, 112 medicamentos; já nas drogarias com desconto são disponibilizados 32.
Conforme o ministério, quase 90% das pessoas procuram remédios para hipertensão, diabetes e asma, disponíveis também nas outras farmácias. Ainda segundo a pasta, o paciente que precisa tomar remédios indisponíveis na rede particular terá que procurar uma unidade básica de saúde ou clínica da família para “descobrir” onde conseguir o remédio.
O governo federal justifica a desativação da rede própria para geração de economia de aproximadamente R$ 80 milhões. O Ministério da Saúde informou que os recursos economizados serão repassados à compra de medicamentos.
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O POPULAR
Estudantes de medicina lamentam repercussão negativa de foto
Universitários podem ser sancionados através advertência escrita, suspensão de 3 a 5 dias úteis das aulas e até mesmo a expulsão da instituição
Os alunos do último período de medicina da UVV (Universidade de Vila Velha), no Espírito Santo, pediram desculpas e lamentaram a polêmica gerada pela postagem de fotos nas redes sociais vestindo jaleco branco, com as calças abaixadas e fazendo um gesto com as mãos que remete ao órgão sexual feminino.
De acordo com o advogado Felipe Bortoli, que representa os 12 estudantes envolvidos na polêmica, os futuros médicoslamentam muito a repercussão negativa da publicação .
Se, em algum momento a atitude feriu a honra ou denegriu qualquer classe profissional, a instituição ou o gênero feminino, esta não era a intenção da postagem e, em momento algum, existiu uma conotação sexual , disse o advogado.
Os alunos, familiares, advogados, representantes da UVV e do Conselho Regional de Medicina se reuniram na tarde desta terça-feira (11) na universidade, mas o conteúdo da reunião não foi divulgado.
Ainda não há uma definição sobre possibilidades de punição. De acordo com a UVV, os casos serão analisados individualmente e as sanções variam entre advertência escrita, suspensão de 3 a 5 dias úteis das aulas e até mesmo a expulsão da instituição.
As duas fotografias envolvendo os 12 alunos de medicina foram feitas durante uma sessão de fotos para o álbum de formatura e publicadas pelos próprios estudantes em redes sociais, com hashtags ofensivas.
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DIÁRIO DA MANHÃ
Médicos esperam clareza em contrato com prefeitura
331 médicos já assinaram o contrato e as inscrições vão até o dia 31 de abril
POR RAPHAEL BEZERRA
As mudanças no chamamento público para credenciamento de médicos para trabalhar nas áreas emergenciais desagradaram parte dos médicos representados pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO). Quase duas semanas depois das mudanças anunciadas no chamamento público, foram feitas reuniões entre sindicato e secretaria que ajudaram a esclarecer e corrigir alguns pontos, mas a classe médica ainda reivindica direitos trabalhistas que ficam fora dos contratos de prestação de serviços. Entre as mudanças previstas pelo novo modelo, fica estabelecido um salários para cada atividade levando em consideração o maior valor de um plantão e a carga horária.
Os salários variam de R$ 4,5 mil para 20 horas em ambulatório a R$ 14 mil para 40 horas em emergência. O médico também não poderá escolher o lugar que vai trabalhar.. Outra mudança foi na carga horária máxima. Atualmente os médicos podiam ser contratados por 60 horas ou mais. A Saúde retirou essa cláusula, pois considera ser difícil a qualquer profissional trabalhar 10 horas por dia, 6 dias por semana, e limitou a carga a 40 horas semanais.
A medida tem como plano distribuir melhor os médicos nas unidades de saúde emergencial, aumentando o atendimento ambulatorial e especialmente o pediátrico em Goiânia. O credenciamento é aberto a todo e qualquer médico que deseja prestar serviço ao serviço público de saúde na capital.
O prefeito Iris Rezende disse em entrevista ao jornal O Popular que a saúde já está quase no ponto ideal. "Você não sabe a situação que estava a Saúde, os Cais fechados, ninguém comparecia e o povo morrendo. Eu entrei calado, não quis entrar mostrando aquela situação degradante que estava tudo na prefeitura. O contrato dos médicos plantonistas previa o pagamento de R$ 25 mil por mês para cumprir de 0 a 25 plantões por mês e tinha médico que fazia um plantão e recebia R$ 25 mil", afirmou Iris.
O presidente do SIMEGO, Rafael Cardoso, disse em entrevista que o prefeito pode ter se equivocado quanto ao valor recebido pelos plantonistas. "O contrato atual permitia 60 horas de plantão, ou seja, cinco plantões por semana. Tinha mês que o médico chegava a fazer 25 plantões. O plantão não valeria R$ 25 mil reais, a prefeitura, secretaria ou o hospital não pagariam para o profissional esse valor. Dependendo do valor do plantão e das gratificações poderia chegar próximo a esse valor", explica.
Rafael salienta que as condições de trabalho de um profissional de saúde deve ser sempre bem preservado, seja em estrutura, insumos e ambiente de trabalho. "Há 100 dias de governo, o gestor tem atribuído aos médicos as mazelas do serviço público. Ainda não está se discutindo condições de trabalho, de atendimento, se está ou não faltando insumos e medicamentos e como está o fluxo nas unidades", ressalta Rafael.
Segundo instruções do TCM, os novos contratos passam agora a credenciar os médicos de acordo com as novas regras, que deve-se optar por carga horária semanal de 20, 40 e até 60 horas, em ambulatórios ou no programa saúde da família.
O presidente do disse que os médicos e a prefeitura chegaram a um acordo com os novos contratos mas reivindicam direitos trabalhistas. "Chegamos em uma negociação final. A prefeitura ainda não atendeu alguns pontos mas avançou em outros. Nós gostaríamos que tivéssemos direito a licença remunerada, férias, décimo terceiro ou que pelo menos fossem embutidos no valor do salário. O fato do contrato ser de um ano e haver sempre renovação, ficaremos sem esses direitos trabalhistas", afirma o médico.
Outro ponto criticado pelo presidente do SIMEGO, são as multas aplicadas aos médicos. Ele conta que uma comissão julgará se um médico deve ser multado por faltas ou qualquer outra irregularidade não justificada. "Eles estipulam uma multa de 3% em relação ao valor do contrato, que é o salário vezes 12. Pedimos que fosse 3%, ou menos que isso, do rendimento mensal. Outro ponto é que não está previsto caso a prefeitura deixe de arcar com as responsabilidades se ela também recebe uma multa", explica Rafael.
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Robô para reabilitação de vítimas de AVC associa fisioterapia e games
Portátil deve chegar ao mercado a um preço entre duas e quatro vezes inferior ao de robôs de mesma funçào importados e com capacidade para exercitar uma diversidade muito maior de movimentos
Até o fim do ano, as vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) poderão contar com um novo aliado para recuperar os movimentos dos membros superiores: um robô portátil capaz de propiciar uma fisioterapia totalmente personalizada e lúdica, usando videogames. Nos testes preliminares, o protótipo do equipamento foi capaz de produzir melhoras em pacientes crônicos que não obtinham avanço com as terapias tradicionais, alguns deles com mais de duas décadas de lesão cerebral.
O aparelho, desenvolvido pela Vivax Serviços Ltda. com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), é o primeiro portátil do gênero. E deve chegar ao mercado a um preço entre duas e quatro vezes inferior ao de robôs de mesma função importados e com capacidade para exercitar uma diversidade muito maior de movimentos, segundo os pesquisadores da empresa.
"Os resultados são muito significativos, tanto por se tratar de pacientes que não evoluíam mais como pelo fato de os avanços obtidos permanecerem depois da interrupção do tratamento, o que é incomum nas terapias que usam os outros robôs", afirma o engenheiro Antonio Massato Makiyama, responsável pela pesquisa que desenvolveu o robô, batizado de Assistive Reabilitation Machine (ARM), e sócio-proprietário da Vivax.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o AVC é a principal causa de incapacidade no Brasil e a segunda maior responsável por mortes. A cada ano, o país registra mais de 200 mil casos de AVC, metade deles mortais. Entre os sobreviventes, cerca de 50% ficam com alguma sequela. A Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE 2013 registrou no Brasil um total de 2,23 milhões de pessoas que haviam sofrido um AVC e sobrevivido. Dessas, 568 mil apresentavam um grau intenso ou muito intenso de limitações para exercer atividades cotidianas.
Mais grave ainda: embora o AVC seja mais comum em idosos, a sua incidência cresce em pessoas em plena idade produtiva. Segundo o Ministério da Saúde, a cada ano, o país registra em torno de 15 mil casos entre pessoas com idade de 15 a 39 anos. Só em 2014, 8 mil pessoas deixaram de trabalhar por causa de um AVC. Com o aumento da obesidade e o envelhecimento da população, o problema tende a crescer, tornando cada vez mais imperativo o tratamento eficiente das sequelas decorrentes.
O robô da Vivax promete ser um aliado importante nesse processo. Enquanto uma fisioterapia convencional permite fazer cerca de 100 movimentos por sessão, a tecnologia do ARM possibilita cerca de 750 a 1.000, dependendo da capacidade do paciente.
O ARM é dos poucos robôs de reabilitação que possibilita movimentos tridimensionais e não apenas no plano, permitindo, inclusive, exercícios contra a gravidade. São movimentos mais realistas (mais próximos daqueles que a pessoa precisa realizar em suas atividades cotidianas – domésticas, de autocuidado, trabalho, lazer, etc.) e mais complexos, que utilizam um número maior de cadeias musculares simultaneamente, exigindo um esforço bem maior do cérebro.
O robô pode se autorregular para fornecer auxílio sob medida para cada paciente, ou seja, fazer a força complementar necessária para que cada um consiga fazer o movimento, reduzindo progressivamente essa ajuda à medida que a pessoa se fortalece, até chegar a oferecer resistência ao movimento para intensificar o fortalecimento.
Essa capacidade de detectar o grau de dificuldade do paciente em cada tipo de movimento permite que o robô também seja útil para o diagnóstico detalhado das sequelas, ajudando no planejamento do tratamento e também no acompanhamento da evolução de cada paciente. Conectado a uma rede de alta velocidade, o robô permite sessões de fisioterapia guiadas a distância, on-line.
Teste clínicos preliminares do ARM realizados com oito voluntários que eram pacientes crônicos estáveis, ou seja, não apresentavam mais melhora com as terapias tradicionais, apresentaram bons resultados. Com idades entre 46 e 78 anos, esses pacientes tinham tempo de lesão que variava de um ano e oito meses a 26 anos. Após 18 sessões de uma hora com o ARM, três vezes por semana, sete dos oito apresentaram melhora significativa na mobilidade do ombro, cotovelo e punho; melhora que se manteve um mês após o término da tratamento. A única paciente que não evoluiu, constatou-se depois, não conseguia enxergar bem as imagens do game.
A portabilidade do robô brasileiro é outra vantagem: enquanto os principais robôs de reabilitação disponíveis no mercado internacional pesam em torno de 100 quilos, o ARM mal chega a 15 quilos, cabendo numa mala que pode ser facilmente levada de uma clínica para outra ou até para a casa dos pacientes. Outra vantagem do robô nacional da Vivax é que, com um acessório adicional, é possível exercitar também o pulso, o que, no caso de outros equipamentos, exige um outro robô, específico.
O ARM tem, ainda, um aspecto lúdico. A equipe responsável pelo robô apostou fortemente no desenvolvimento de videogames tridimensionais que reproduzem atividades cotidianas como tirar objetos de um armário alto ou colocar frutas no liquidificador, apresentados na forma de desafios que buscam tornar a fisioterapia mais amena. Com o mesmo intuito, o robô permite que os pacientes joguem on-line interagindo com outros pacientes em reabilitação.
"Os pacientes com sequelas de AVC muitas vezes já estão deprimidos. Não existe razão para a fisioterapia ser uma coisa entediante se temos hoje recursos para criar jogos divertidos", frisa Makiyama. Por isso, a equipe que desenvolveu o robô foi integrada por três engenheiros, dois fisioterapeutas e cinco especialistas em videogames.
Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com mestrado na Bélgica, doutorado em Cambridge e pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), Makiyama trabalhou em empresas da área de biomedicina nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, animado pela possibilidade de apoio do PIPE, ele associou-se ao irmão, o fisioterapeuta Tomás Makiyama, para criar, em 2011, a Vivax já com o objetivo de desenvolver o robô para reabilitação.
As três fases do desenvolvimento do ARM foram financiadas pelo PIPE, do estudo de viabilidade até a fabricação dos protótipos e realização dos primeiros testes clínicos. Na fase 3, em andamento, com o apoio do Programa PIPE/PAPPE Subvenção – uma parceria entre a FAPESP e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) -, estão sendo realizados novos testes clínicos e traçada a estratégia para o lançamento comercial do produto. A fábrica, já aprovada pelos órgãos competentes, está pronta para operar e o robô, em fase de obtenção da certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e, posteriormente, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O ARM da Vivax deve chegar ao mercado até o fim do ano, tendo como clientes iniciais hospitais e clínicas de reabilitação. O custo do aparelho é de cerca de R$ 200 mil, mas, para ampliar o acesso, a forma de comercialização prioritária será o aluguel (cerca de R$ 60 mil ao ano), com opção de compra após dois ou três anos (leasing).
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BAHIA NOTÍCIAS
Novo modelo para saúde suplementar busca reduzir custos e priorizar medicina preventiva
por Renata Farias
Um novo modelo de funcionamento e operação para a saúde suplementar foi recentemente apresentado com o objetivo de sanar a grande perda de usuários que os planos de saúde vêm sofrendo. Apenas no último ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registrou uma queda de 2 milhões de beneficiários. “O atual modelo peca no que eu chamo de defeito de origem. Em virtude desse tensionamento, para que um prestador de serviço possa obter resultado econômico e financeiro, ele precisa trabalhar com produtos muito caros, e isso está encarecendo o produto final para o usuário. O que se deseja é eliminar todo e qualquer tipo de ganho e deixar que nós nos transformemos em instituições de saúde”, afirmou o presidente da Federação Baiana de Saúde e vice da Confederação Nacional de Saúde, Marcelo Britto. De acordo com o gestor, o novo modelo terá como principal ponto a redução de valores dos planos de saúde, o que deve atrair novos usuários. O projeto piloto será testado na Bahia, estado onde surgiu a iniciativa. “O que existe atualmente é um modelo que está completamente defasado, em desuso, e que não visa criar uma relação equilibrada entre cliente e fornecedor”, completou o presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb), Mauro Duran Adan. Os profissionais ainda questionaram o sistema de saúde brasileiro, que cuida da doença, não da saúde. “Isso é o que eu gosto de chamar de paradoxo universal da saúde: para que eu tenha resultado na minha empresa, recursos para pagar os trabalhadores, eu preciso ter uma população doente. Isso não é justo. Eu tenho que me focar na medicina na preventiva, porque isso será bom para a população e para as instituições”, ressaltou Britto. Em entrevista ao Bahia Notícias, os profissionais ainda comentaram o projeto de planos de saúde populares, que é atualmente avaliado pelo Ministério da Saúde. Leia a entrevista completa!
Foi apresentada essa proposta de um novo modelo de operação para a saúde suplementar. Quais são suas principais bases?
Marcelo Britto: Acredito que a base principal desse projeto, que chamamos de “capitation reverso”, para o usuário do plano. Acho que existem dois imensos ganhos para o usuário. O primeiro e indiscutível é no preço. O projeto significa uma redução muito significativa no valor do plano. Nós costumamos dizer no mercado que a perda de 2 milhões de vidas na saúde suplementar é em virtude da crise. Também é em virtude da crise, mas uma parte disso diz respeito ao alto custo dos planos de saúde, e o projeto contempla uma redução muito significativa desse custo. Com isso, nós esperamos recuperar esses 2 milhões de vidas e trazer novos usuários que não têm acesso por causa do valor. O segundo grande ganho que posso falar a respeito dos usuários diz respeito à burocracia. Hoje uma das maiores queixas que os usuários têm é cobertura, segundo dados tabulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Então ele tem dificuldade de pegar autorização para uma cirurgia, de obter uma guia para um exame de alta complexidade, de obter autorização para uso de um material de alto custo. O nosso projeto prevê que tudo isso desapareça. Não terá mais autorização, elegibilidade, guia… Ele terá que procurar diretamente o prestador de serviço, que estará pré-autorizado a fazer tudo que ele precise sem precisar contatar a operadora.
O senhor falou dos ganhos para os beneficiários, mas e no caso dos prestadores de serviço e das próprias operadoras?
Mauro Duran Adan: A relação estabelecida hoje no modelo de negócio existente no Brasil, que tem interveniência da ANS, é um modelo que leva o prestador de serviço e a operadora de saúde constantemente a uma situação de conflito, porque as posições são completamente antagônicas. No modelo que temos hoje, é recorrente nós termos as famosas glosas, que os prestadores de serviços sofrem com relação às operadoras, e as operadoras também têm suas queixas. Não tem um lado absolutamente certo ou errado. O que existe é um modelo que está completamente defasado, em desuso, e que não visa criar uma relação equilibrada entre cliente e fornecedor. Operadores e prestadores de serviço têm uma relação de cliente e fornecedor, mas o atual modelo da saúde suplementar no Brasil não contempla isso. É um modelo que tensiona as relações e deixa de lado o usuário, que deve estar em primeiro plano.
Além da queda no número de usuários, quais foram os fatores que apontaram para a necessidade dessa mudança?
M.B.: O atual modelo peca no que eu chamo de defeito de origem. Em virtude desse tensionamento, para que um prestador de serviço possa obter resultado econômico e financeiro, ele precisa trabalhar com produtos muito caros, e isso está encarecendo o produto final para o usuário. O que se deseja é eliminar todo e qualquer tipo de ganho e deixar que nós nos transformemos em instituições de saúde. Eu diria que hoje não somos instituições de saúde, mas de doença. Se alguém não estiver doente em algum momento, os hospitais e clínicas ficam vazios, os médicos ficam sem atendimentos. O que nós queremos agora, com o novo modelo, é beneficiar a medicina preventiva. Dar um incentivo para que eu possa, finalmente, trabalhar saúde. Eu gosto de fazer uma analogia, que é muito clara, com o seguro tradicional. Você tem um seguro de carro ou de incêndio. A seguradora de incêndio vai fazer uma análise dos produtos que você construiu a casa, se você tem sistema anti-incêndio… A depender, ele vai conseguir fazer uma redução muito significativa do preço do sinistro. A mesma coisa com o carro: se tem GPS e se fica em uma garagem fechada à noite, por exemplo. No nosso sistema de saúde, as operadoras não cobrem vacinas, mas cobrem se você ficar doente porque não tomou vacina. No entanto, custa muito mais caro tratar a doença do que fazer a vacinação. São paradoxos que vivemos na área da saúde e não podemos continuar assim. Nós somos médicos e instituições de saúde, não de doença.
M.D.A.: Em função um pouco dessas coisas, a inflação da saúde passa dos dois dígitos, chega a 20% ao ano, enquanto a inflação normal geralmente é metade ou 1/3. Isso se dá porque todo o sistema da saúde tem encarecido muito: equipamento, novas tecnologias, materiais utilizados, entre outros. Quando nós vamos para outros segmentos do mercado, percebemos produtos sendo lançados para atingir um maior número de consumidores. Nós temos no Brasil hoje aproximadamente 48 milhões de pessoas inseridas no sistema de saúde suplementar, mas nós temos mais de 200 milhões de habitantes. Será que o governo, o SUS está conseguindo atender a toda essa demanda? Nós sabemos que existe uma dificuldade muito grande de atendimento a essas pessoas e um grande número de queixas. Boa parte desse público poderia estar inserido no sistema de saúde privado se nós tivéssemos preços e custos mais acessíveis. Uma das nossas metas também é criar mais condições de inserir novas pessoas no sistema de saúde privado.
Os senhores citaram um investimento na saúde preventiva. No entanto, no Brasil a população tem uma cultura muito comum de apenas procurar médicos quando existe problemas na saúde. Isso não seria um impasse para esse novo modelo?
M.B.: A cultura você vai adaptando à realidade. Hoje, se você tiver um hospital sem nenhum doente, o faturamento vai chegar a zero. Cadê o incentivo para a medicina preventiva? O que nós buscamos hoje é uma mudança de modelo que incentive a prática da prevenção. Em tese, se você descobrisse a cura de todas as doenças, acabou todo o sistema de saúde, porque hoje ele tem como pilar a doença. Isso é o que eu gosto de chamar de “paradoxo universal da saúde”: para que eu tenha resultado na minha empresa, recursos para pagar os trabalhadores, eu preciso ter uma população doente. Isso não é justo. Eu tenho que me focar na medicina na preventiva, porque isso será bom para a população e para as instituições. Não é o que acontece hoje.
M.D.A.: Aproximadamente 80% dos usuários do sistema de saúde privado estão nos planos coletivos e empresariais. Esses planos empresariais mudam muito constantemente de operadora em busca de preço e reequilíbrio do contrato. Isso faz também com que essas operadoras não consigam fazer planos de prevenção porque o tempo médio dos usuários com eles é pequeno. É muito comum ver uma mesma empresa já ter passado por praticamente todas as operadoras do mercado buscando um equilíbrio. Fica difícil para as operadoras, assim como para os prestadores, investir em prevenção assim.
A Bahia foi um dos estados escolhidos para implantação do programa piloto desse novo modelo. Por que a Bahia e como funcionará nesse período?
M.B.: Esse é um projeto que começou a ser desenvolvido aqui na Bahia, provocado pela crise que o setor passa e por esse paradoxo universal da saúde, que também precisa ser resolvido. Nesses momentos de crise, as soluções começam a aparecer. Um grupo de aproximadamente 10 pessoas começou a discutir uma ideia original e chegamos à conclusão de lançar esse novo modelo para ser implementado acredito que a nível nacional. Já temos uma reunião marcada com a ANS para levar a ideia e mostrar o novo modelo. Agora vamos iniciar o projeto piloto. Uma operadora será escolhida, uma rede será montada em Salvador e outra em Feira de Santana – ou talvez a mesma em ambas – e vamos começar a oferecer planos mais baratos para os usuários, além de fazer com que nossas empresas possam trabalhar com os custos aceitáveis e sem a pressão pelo gasto. Como a Bahia foi o local em que o Brasil foi descoberto, talvez possamos fazer com que a Bahia também seja uma pioneira nessa inovação no sistema de saúde. Essa situação que vivemos aqui também perpassa por praticamente todos os outros países, tanto aqueles com uma medicina fortemente estatizada quanto aqueles fortemente liberais.
A ANS registrou, no último ano, uma queda de 2 milhões de usuários de planos de saúde. Além da crise, quais foram os fatores que levaram a isso?
M.B.: Posso lhe dizer que foi o custo. Nós temos planos hoje que estão custando acima de R$ 2 mil por pessoa no mês, e isso praticamente inviabiliza a compra desses planos. Nós precisamos hoje encontrar uma forma de baratear e acho que encontramos.
Há atualmente uma grande discussão com relação à proposta de planos de saúde populares. Os senhores acreditam que, se for aprovado, esse projeto terá impactos positivos ou negativos?
M.B.: Eu posso lhe dizer que estou acompanhando de perto, porque nós temos um assento na câmara que discute o plano popular junto ao Ministério da Saúde. Doutora Maísa Domenech que participa como representante da federação e é da Bahia. Acredito que nós temos um lado positivo e outro negativo. O negativo é o fato que pode ser que haja menos cobertura. Em um primeiro momento, isso se traduz negativamente. No entanto, eu prefiro fazer outra análise. Eu acho que aquele usuário que hoje não tem acesso a nada, apenas ao SUS, se ele consegue obter um plano que fique dentro de suas condições econômicas e sociais com cobertura para consultas e exames básicos, acho isso positivo. Primeiro, eu dou a ele direito de escolha. Hoje ele não tem esse direito: ou tem plano completo ou nenhum. Acredito que esse intermediário permitirá a ele fazer uma opção que seja mais adequada a sua realidade. A segunda grande razão é o fato de que as instituições também podem se desenvolver e criar produtos que podem atingir essa cobertura. Eu acho que todas as vezes que damos opções no mercado é positivo.
M.D.A.: A iniciativa é muito boa porque visa trazer pessoas que estão no SUS para o sistema privado. Agora o modelo é o tradicional, do fee-for-service, e cai mais ou menos no lugar comum do que tem hoje. Ainda assim, é positivo por oxigenar o sistema, que precisa de mais usuários.
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Rosane Rodrigues da Cunha
Assessoria de Comunicação