
Dentro da programação mensal do Grupo de Estudo NR-32, o Sindhoesg abordou na sexta-feira, 25, um assunto de grande importância no dia a dia das instituições de saúde: as práticas de higienização, prevenção de infecções, segurança do paciente e organização dos processos de limpeza nos serviços de saúde.
A partir do tema a “Higienização Hospitalar na perspectiva da Gestão de Risco”, a enfermeira Luciene Paiva da Silva Potenciano, especialista em Enfermagem do Trabalho e Controle de CCIH e coordenadora do Grupo de Estudo NR-32 do Sindicato, enfatizou que a higienização hospitalar deve integrar a gestão de riscos das instituições. Entre os pontos abordados estiveram o mapeamento dos ambientes em áreas críticas, semicríticas e não críticas e a prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).
Durante a palestra, que reuniu enfermeiros, encarregados do serviço de higiene e trabalhadores do serviço de higiene de instituições associadas, Luciene chamou a atenção para os cuidados com a higienização das superfícies de alto toque, como grades e controles dos leitos, mesas de cabeceira, campainhas, maçanetas, equipamentos, teclados e telefones. Esses locais, segundo ela, exigem maior frequência de desinfecção e definição clara de quem é responsável pelo procedimento. Ela orientou ainda que equipamentos compartilhados entre pacientes devem ser desinfetados a cada uso.
Outro alerta foi que a ausência de sujeira visível não comprova a qualidade da limpeza. O processo deve seguir protocolos, utilizar produtos regularizados e técnicas padronizadas, além de contar com capacitação das equipes, definição de responsabilidades e monitoramento. A integração entre higiene hospitalar, CCIH, Núcleo de Segurança do Paciente, assistência e gestão de riscos também foi destacada.
Além da capacitação da equipe e do cumprimento dos protocolos, a escolha dos saneantes também é importante. Ela deve considerar o perfil epidemiológico da instituição, concentração, validade, tempo de contato e restrições de uso. Luciene alertou para o risco da utilização de produtos sem registro na Anvisa ou sem comprovação de eficácia.
A apresentação também abordou a diferença entre a limpeza concorrente, realizada diariamente com atenção especial às superfícies de alto toque, e a terminal, feita após alta, transferência ou óbito e que deve alcançar todas as superfícies.
A enfermeira alertou ainda que microrganismos podem permanecer por períodos prolongados em superfícies inanimadas, contribuindo para a transmissão de infecções. Cortinas hospitalares, por exemplo, precisam estar contempladas nos protocolos institucionais de higienização.
Normas citadas
Entre os documentos apresentados como referência para os processos de higienização estão a RDC Anvisa nº 222/2018, a Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 04/2021, a RDC Anvisa nº 63/2011, a NR-32 e o Manual de Limpeza e Desinfecção de Superfícies. A orientação é que essas referências sejam consideradas na elaboração e atualização dos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs).
Ao final, a palestrante destacou a importância da revisão da matriz de riscos, da atualização dos POPs, da capacitação das equipes e do acompanhamento dos processos para ampliar a segurança da assistência e reduzir falhas na higienização hospitalar.